CRHLP nº23

crhlp Publicações Recursos Humanos

Não sabemos se é cedo para falar em pós-pandemia. Quando termina, se termina, se vira epidemia, ou endemia, ou simplesmente desaparece. O que vai suceder em termos de saúde pública é uma
incógnita e são muitas as incertezas sobre o futuro. Mas, sendo cedo ou não em termos de saúde, é momento de falar em pós-pandemia. Porque a pandemia assume múltiplas facetas, e vai muito além da questão sanitária. Vivemos uma pandemia sanitária, social, cultural, económica e emocional. Aconteça o que acontecer em termos formais, a verdadeira pandemia já aconteceu. O mundo já enfrentou o choque, já sentiu o medo, já se reorganizou, já se adaptou, nalguns casos já se conformou, noutros está-se a revoltar, mas a mudança já se deu. Temos hoje um mundo diferente, uma sociedade modificada, culturas e organizações alteradas. Por isso falamos em pós-pandemia. Começarmos a medir os impactos de tudo isto é preparar o mundo de amanhã, viva ele ou não com a pandemia. E nesse mundo de amanhã qual será o papel dos recursos humanos (RH)? Foi clara a importância crítica que as áreas de gestão de pessoas tiveram e têm tido na gestão deste contexto especial, único e transformador. Vimos os RH também em choque, também com medo, também a reorganizar-se, adaptar-se e transformar-se. O que ficará destes RH? Iremos ver os mesmos RH de sempre? Sabemos ainda o que é «RH de sempre»? Assistiremos ao «nascimento» de uns RH totalmente novos, a transformar-se e a reformular a proposta de valor e o modo de atuação? Ou iremos encontrar uns RH diferentes? Que mantêm a sua matriz de atuação de base, mas que vão adaptar-se a novas exigências e novas formas de estar? Não sabemos que RH teremos no pós-pandemia. Não sabemos quais os melhores RH para fazer face aos novos desafios, e apoiar as organizações no novo normal, ou no futuro novo normal. Mas sabemos que é o momento de refletir sobre isto. E este é o principal propósito desta edição. Porque sejam os RH os mesmos, novos ou diferentes, o que pretendemos é contribuir para algo forte, eficaz e unido no combate ao maior desafio dos nossos tempos.